Viagens globais: o que mudou?

 

A instabilidade no Golfo está a redesenhar o panorama das viagens globais, afetando rotas aéreas, custos operacionais e a confiança dos viajantes.

Embora a vontade de viajar se mantenha elevada, cresce a cautela. Um estudo da McKinsey revela que, em Itália, 74% planeiam viajar este verão, mas 63% ainda não tinham reservado até ao final de maio de 2026, privilegiando flexibilidade perante a incerteza geopolítica.

Nos EUA, Reino Unido e Alemanha, 60% a 70% dos viajantes ajustaram destinos, datas ou meios de transporte por motivos de segurança — com os americanos a reforçarem a preferência por viagens domésticas e apoio de agentes de viagem. A pressão sobre as companhias aéreas é evidente: o aumento dos custos de combustível e as restrições no espaço aéreo do Médio Oriente provocaram uma queda de 53% no número de passageiros que utilizam hubs do Golfo (março–abril 2025 vs. 2026), enquanto alternativas como Istambul ganham relevância.

As tarifas também refletem esta disrupção: rotas como Londres–Mumbai podem registar aumentos entre 13% e 44% devido a trajetos mais longos e maior consumo de combustível. No setor turístico, o impacto é severo — Dubai viu a receita hoteleira cair 75%, representando uma perda de 1,8 mil milhões de dólares, com os hotéis de luxo entre os mais afetados. A procura desloca‑se para destinos mais próximos ou percebidos como seguros, incluindo várias regiões mediterrânicas.

 

 

 

No que toca ao nosso país, segundo a análise How conflict in the Gulf is remapping global travel, a dinâmica turística internacional está a sofrer ajustes que favorecem vários destinos portugueses. Entre março e abril, Algarve, Porto e Alentejo registaram melhorias na ocupação hoteleira face ao ano anterior, refletindo uma procura crescente por regiões vistas como estáveis e acessíveis.

O Algarve destacou‑se com um acréscimo de 5,7 pontos percentuais, seguido do Porto, que avançou 3,3 pontos, e do Alentejo, com 2,7 pontos adicionais. Estes resultados surgem num momento em que muitos viajantes optam por locais mais próximos, com boas ligações diretas e uma perceção de segurança reforçada — fatores que estão a reorientar os fluxos turísticos globais.

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